Marquês de Pombal – II – O Processo dos Távora

A culpa ou inocência dos Távora, bem como as implicações do Marquês de Pombal em todo o processo, é ainda hoje tema de debate entre Historiadores Portugueses e Estrangeiros.
 
A família Távora era uma das mais importantes na nobreza Portuguesa do Século XVIII. Os Távora tinham origens antiquíssimas, que alguns estudos apontam remontar a um dos filhos de Ramiro II, Rei de Leão. O primeiro Senhor de Távora, Rozendo Hermingues, era um nobre hispânico que viveu algures nos finais do século XI, princípios do século XII.
 
Em 1758, D. Francisco de Távora tinha regressado ao Reino vindo da Índia, onde tinha cumprido quatro anos como Vice-rei.
À época, governava D. José I, secundado pelo ministro  Sebastião José de Carvalho e Melo (futuro Marquês de Pombal), na altura encarregue da reconstrução de Lisboa por via do terramoto de 1755.

D. José I era casado com Mariana Vitoria de Borbón, princesa espanhola, com quem tinha 4 filhas. D. José tinha também uma amante, a Marquesa Teresa Leonor, mulher de Luís Bernardo, filho do Marquês Francisco de Távora, e herdeiro da família. Segundo relatórios da época, era esta quem informava o Rei sobre tudo o que era dito na corte a seu respeito e do seu gabinete.

Depois do seu regresso da Índia, D. Francisco de Távora assumiu-se como o porta-voz da discórdia e oposição da nobreza Portuguesa no que respeita às reformas do Rei e do seu delfim, Sebastião José de Carvalho e Melo.
Os Távora eram também devotos e estavam muito ligados à Companhia de Jesus. Quando o Ministro Sebastião José de Carvalho e Melo começou as perseguições a esta ordem, a família encarou a questão como uma ofensa.
 
Passaram então os Távora, juntamente com os Aveiro e os Atouguia (outras famílias nobres da época ligadas aos Távora) a ser os inimigos de estimação quer do Rei, quer do Ministro.
Ora bem, na noite de 03 de Setembro de 1758, D. José I regressava de carruagem e sem escolta às tendas da Ajuda (era ai que se encontrava o Paço desde o terramoto) depois de um encontro com a amante, D. Teresa Leonor, a tal casada com o herdeiro da Casa de Távora, D. Luís Bernardo. Pelo caminho, a carruagem foi atacada por três homens que dispararam sobre os ocupantes. D. José I foi ferido num braço e nas costas, mas o condutor da carruagem, Custódio da Costa, também ele ferido, ainda conseguiu levar a carruagem até à Ajuda.
 
Nos dias que se seguiram, começaram a surgir os rumores acerca do sucedido. Havia quem dissesse que o rei adoecera  e ainda quem acusasse a família Távora da tentativa de assassinato do Rei por via da sua ligação extra matrimonial com a Marquesinha.
Nos três meses que se seguiram, manteve o Paço o silencio sobre o acontecimento. Apenas na Gazeta de Lisboa, iam surgindo notícias sobre as melhoras do Rei, mas reacções oficiais nada.
 
No entanto, o ministro Sebastião José, vendo uma oportunidade de acabar com a nobreza oposicionista, já havia tomado nas suas próprias mãos as rédeas da investigação.
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