Livros com História – Equador, de Miguel Sousa Tavares

Entre os romances que marcaram a literatura nacional na primeira década deste século, está sem dúvida Equador, de Miguel Sousa Tavares. Um livro de quinhentas páginas num cenário histórico do fim da monarquia e atravessado por uma paixão avassaladora vivida em São Tomé, entre escravos e senhores, com uma intriga política que seduziu quatrocentos mil leitores que compraram o livro e centenas de milhares que partilharam a sua leitura.

Equador, é dos poucos romances contemporâneos que não ficaram esquecidos ao fim de alguns anos, contando já com mais de 35 reedições e tendo marcado a edição nacional pelo lado da conquista de leitores.

Quando, em Dezembro de 1905, Luís Bernardo é chamado por El-Rei D. Carlos I a Vila Viçosa, não imaginava o que o futuro lhe reservaria. Não sabia que teria de trocar a sua vida despreocupada na sociedade cosmopolita de Lisboa por uma missão tão patriótica quanto arriscada na distante ilha de São Tomé. Não esperava que o cargo de governador e a defesa da dignidade dos trabalhadores das roças o lançassem numa rede de conflitos de interesses com a metrópole e não contava que a descoberta do amor lhe viesse a mudar a vida. O protagonista conhece o amor, quando está em São Tomé, como governador.

Isto merecia a atenção dos ingleses, que também tendo companhias que estavam no mercado do cacau e do café que sendo de qualidade um pouco inferior tinha a desvantagem de ser obtido com mão-de-obra paga, o que aumentava o seu preço, fazendo com que a venda destes mesmos produtos disponibilizados por Portugal fosse mais elevada.

O personagem vê-se, então, confrontado com a hipocrisia humanística do governo, não do rei, este por saber que a administração era errada queria ter a oportunidade de a modificar, mas por ficar mal visto perante os conselheiros, burguesia e imprensa nada fazia, que apenas o enviaram para o arquipélago para “inglês ver” e não para alterar o modo de administração da ilha. Os ingleses na realidade estavam apenas preocupados com a concorrência que os produtos das colónias portuguesas faziam aos das suas, o seu próprio idealismo e as condições particulares da economia de São Tomé e Príncipe.

Na Altura do lançamento, um autor de um  blogue acusou o romancista de plágio da obra Cette nuit la liberté  (tradução portuguesa): "Esta noite a Liberdade" por Círculo de Leitores) de Dominique Lapierre e Larry Collins. Contudo os especialistas em literatura consideram essa acusação injusta, ridícula e sem sentido, porque só no princípio da obra é que pode haver algumas semelhanças, mas daí a ser plágio é um absurdo. Quanto ao autor, anunciou que iria processar o autor do referido blogue por difamação e acusou-o de se mover apenas por ódio e inveja.

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