Templários em Portugal – VI – O Percurso da Ordem de Cristo

A partir de 1417, o cargo de Grão-mestre da Ordem de Cristo passa então a ser exercido por membros da casa real e o primeiro Grão-mestre é nem mais nem menos que o Infante D. Henrique.

Nas primeiras décadas de existência da Ordem, os ex-templários estabeleceram estaleiros em Lisboa, fizeram contratos de manutenção de navios e dedicaram-se à tecnologia náutica.

Com o Infante dá-se inicio á fase dos descobrimentos, aproveitando os conhecimentos dos templários, que durante as cruzadas, além de se especializarem no transporte marítimo de peregrinos para a Terra Santa, tinham mantido contato com viajantes de toda a Ásia.

O Infante resolve dar a volta ao continente Africano. A proposta recebeu o aval do papa Martinho V, em 1418, na bula Sane Charissimus, que deu um caráter de cruzada ao empreendimento. As terras conquistadas aos infiéis, passariam à Ordem de Cristo, que teria sobre elas tanto o poder temporal, de administração civil, quanto o espiritual, isto é, o controle religioso e a cobrança de impostos eclesiásticos.

Graças à Ordem e à sua política de sigilo, os portugueses sabiam da existência de terras na parte do globo onde hoje está o Brasil, sete anos antes da viagem de Cabral. E, trinta anos antes da viagem de Colombo, todos os mapas lusitanos mostravam ilhas com o nome de “Antílias”, a oeste de Cabo Verde. O mais famoso cartógrafo italiano da época, Paolo Toscanelli, escreveu a um amigo português, em 1474, falando da “Ilha de Antília, que vós conheceis”. Nesse ano, também há notícia de que o navegador cruzado João Vaz da Corte Real explorou o Caribe e foi até a Terra Nova (o Canadá).

Mas à medida que foi sendo consolidado o comércio na rota das Índias, a partir da sua descoberta em 1498, a coroa foi absorvendo gradualmente todo o poder da Ordem. A organização, consagrada desde os tempos de D. Dinis, foi reformada por D. João III em 1529, passando a Ordem à estrita clausura.

Em 1789, a rainha D. Maria I, reformou de novo a ordem, mas esta continuou como ordem monástico-militar.

Com a extinção das ordens religiosas em 1834, também a Ordem de Cristo foi extinta. A maior parte dos seus bens foi expropriado e vendido em praça pública. Maria II constituiu-a em ordem honorífica.

Em 1910, com a implantação da República, foi extinta.

Apesar de extinta pelo Decreto de 15 de Outubro de 1910, juntamente com as “antigas ordens nobiliárquicas”, a mesma foi restabelecida pelo Decreto de 1 de Dezembro de 1918, ficando então “destinada a premiar os serviços relevantes de nacionais ou estrangeiros prestados ao país ou à humanidade, tanto militares como civis”.

A cruz da Ordem, continua ainda hoje a ser utilizada, como comprova a imagem abaixo.

 
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