Os Templários em Portugal – V – A Ordem de Cristo

A bula Papal Vox Clamantis de Clemente V decretara, em 1312, a extinção da Ordem do Templo. Posteriormente o Papa ordenara que os bens desta, em toda a cristandade, fossem entregues aos Hospitalários. 

D. Dinis, que então presidia ao trono de Portugal, resistiu a aceitar a directiva papal que mandava extinguir a Ordem do Templo, consciente do relevantíssimo serviço que a mesma tinha prestado e continuava a prestar na defesa e povoamento do território português, anexa provisoriamente à coroa os bens dos Templários e habilmente inicia diligências junto da Santa Sé para a criação de uma nova milícia religiosa, alegando a necessidade de defender Portugal do Islão que avizinhava as fronteiras do reino. A 19 de Março de 1319, por bula de João XXII é instituída a Ordo Militae Jesu Christi, ou Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A solução passou por mudar o nome. Mantiveram-se os mesmos efectivos, os mesmos bens e a estrutura organizativa, mas mudou-se o nome da Ordem. A Ordem passou a chamar-se Ordem de Cristo. Assim, com esta jogada de diplomacia, D. Dinis salvou muitos Templários que passaram a ser integrados na Ordem de Cristo, no fundo, o nome novo da Ordem do Tempo ou dos Cavaleiros de Cristo.

É hoje mundialmente reconhecido, quão importante e decisivo foi este empenho político de D. Dinis em evitar a extinção dos Templários em Portugal. Mais tarde, a Ordem de Cristo iria liderar uma das empresas mais importantes e significativas de toda a História de Portugal: as viagens marítimas de descobrimento. Através da liderança de um dos mais famosos Grão Mestres da Ordem de Cristo, o Infante D. Henrique, Portugal ficaria na história universal como o primeiro império global da humanidade e o pioneiro da construção da globalização.

A Ordem de Cristo segue, como no tempo dos Templários, a regra de Cister e é nomeado mestre, D. Gil Martins, igualmente mestre da Ordem de Avis. Semelhante ao dos Templários, o hábito dos cavaleiros é branco com a cruz vermelha, mas a sua forma é ligeiramente diferente: enquanto a templária tinha os braços curvos, na milícia de Cristo a cruz passa a ter os braços direitos com serifas nas pontas e vazada a branco no meio.

A nova milícia mantém a subordinação ao rei, sendo necessária a sua aprovação para todos os actos de administração, alienação de bens, alteração de costumes, destituição de freires ou comendadores.  O cargo de mestre passara após 1417 a ser exercido por membros da Casa Real, que se passaram a nomear administradores e governadores por nomeação papal. O primeiro foi o infante D. Henrique, «que a encaminhou para o que parecia ser sua «missão» inicial, a de conquista da Ásia, através das viagens marítimas, que a própria ordem financiou.»

Os ideais da expansão cristã reacenderam-se no século XV quando seu Grão-Mestre, Infante D. Henrique, investiu os rendimentos da Ordem na exploração marítima. O emblema da ordem, a Cruz da Ordem de Cristo, adornava as velas das caravelas que exploraram os mares desconhecidos.

                                                   Ler parte IV    Ler parte VI

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