Os Templários em Portugal – IV – D. Gualdim Pais

Gualdim Pais. Não se conhece, sobre ele, nenhuma biografia medieval ou sequer registos em cronicas de um qualquer scriptorium desse tempo. O que se sabe acerca da sua vida baseia-se essencialmente em fontes documentais da chancelaria régia ou da própria Milícia em Portugal.

Desde finais do século XVIII que a historiografia respeitante à Ordem, em Portugal, tem ressaltado o contributo singular de D. Gualdim Pais nos anais templários. Isso fica bem visível, por exemplo, na obra que fr. Bernardo da Costa publicou sobre a Milícia, em 1771, ou nas páginas que fr. Joaquim de Santa Rosa de Viterbo, por finais dessa mesma centúria, dedicou aos “Tempreiros”. Devemos ter presente, todavia, que o protagonismo histórico de D. Gualdim Pais ficou registado quase exclusivamente em fontes portuguesas, não se encontrando registos cronísticos ou diplomáticos sobre ele nas fontes estrangeiras.

Gualdim Pais terá nascido em Amares em 1118. Filho de Paio Ramires e de Gontrode Soares, foi criado no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Durante o ano de 1128, Gualdim Pais terá passado a ser educado na corte, perto de D. Afonso, nove anos mais velho. O pequeno Gualdim era sobrinho de D. Paio Mendes, arcebispo de Braga, a figura mais importante do clero português, aliado e conselheiro político de D. Afonso Henriques.

No ano de 1139 vamos encontra-lo com Afonso Henriques na batalha de Ourique. Segundo a tradição, Afonso Henriques venceu o exército de cinco reis mouros que se tinham reunido contra ele. Antes da batalha é aclamado como rei pelos seus cavaleiros. Gualdim Pais, então com 21 anos, era um desses homens. Lutou com tanta coragem que logo ali, no mesmo dia em que pela primeira vez chamaram rei a Afonso Henriques, foi armado cavaleiro pelo príncipe português.

Em 1147, na conquista de Santarém, D. Gualdim é um dos 120 guerreiros que, ao lado do rei, vão tomar de assalto o castelo de Santarém, escalando as suas muralhas durante a noite. O rei seleccionou, sem dúvida, os seus melhores combatentes para este ataque e boa parte desta força eram cavaleiros Templários. Nesse mesmo ano, na conquista de Lisboa. D. Gualdim está entre os 30.000 guerreiros, cerca de 15.000 portugueses e outros tantos Cruzados estrangeiros, que durante quatro meses atacaram a cidade de Lisboa até à sua rendição.

Em 1151 parte para a Terra Santa, onde se torna Templário. Na continuação da 2ª Cruzada, que começou pela conquista de Lisboa e vai continuar na Terra Santa, Gualdim Pais embarca para Jerusalém. Nestas terras cristãs do Oriente vai D. Gualdim, durante cinco anos, viajar e combater contra os muçulmanos. Terá sido já em Jerusalém que entrou para a Ordem, recebido pelo Grão-Mestre Templário, Bernard de Trémelay.

Em 1156, depois de participar ainda no cerco de Gaza e no ataque e rendição de Sídon, Gualdim Pais, voltou para o Rei que o criara e o fizera cavaleiro (Afonso Henriques). Nestes anos de combates e viagens por terras do Médio Oriente, D. Gualdim Pais viu e aprendeu muito. Conheceu as técnicas mais avançadas na construção de castelos, erguidos na Terra Santa pelos Cruzados. Quando chegou a Portugal, tornou-se Grão-mestre da Ordem do Templo e revolucionou a forma de construir as fortalezas. Entre outras novidades, D. Gualdim viria a introduzir o alambor e a torre de menagem, que surgem, pela primeira vez em Portugal, no castelo de Tomar.

Depois de conquistar Lisboa, D. Afonso Henriques tentou, por três vezes, conquistar o castelo de Alcácer do Sal. Falhou sempre. Em 1158, o nosso primeiro rei atacou mais uma vez. Só com forças portuguesas, cercou e atacou o castelo. Ao fim de dois meses de combates, Alcácer caiu nas mãos de Afonso Henriques.

Foi durante uma dessas lutas, enquanto tentava escalar as muralhas, que foi morto o Mestre dos Templários Portugueses, D. Pedro Arnaldo. Com a morte de D. Pedro Arnaldo, ficaram os Templários sem Mestre, escolhendo Gualdim Pais para os comandar, o que foi do agrado de D. Afonso Henriques. Não se sabe ao certo se D. Gualdim Pais assumiu o comando dos Templários portugueses em finais de 1158 ou no início de 1159. O que se sabe é que, depois dele, nada seria como antes.

                Ler parte III      Ler parte V

Partilhar

2 comments

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *