Mistérios Templários – O Porto de Atouguia (Peniche) entre a lenda e a realidade

O que diz a lenda: Os bens da Ordem do Templo tinham sido reunidos e guardados em segurança em Sées, num local extremamente secreto que poderá estar relacionado com o poço que se encontra no interior da catedral. Quando Filipe, o Belo, decidiu prender os Templários, em 1307, Jacques de Molay, então Grão-Mestre da Ordem do Templo, teria confiado a um dos seus cavaleiros a missão de salvar o tesouro. Este é transportado para o Norte da França, onde o espera uma parte da frota templária, vinda de La Rochelle. O precioso carregamento é então transportado para Portugal, desembarcando no porto de Serra d’El Rei, próximo de Peniche. A partir daí, o transporte até Tomar é feito sem quaisquer problemas.

O que se sabe com alguma certeza documental sobre o assunto é isto:

O documento de doação da “herdade da Touguia” data de 1158 e, por ele, este território (que confrontava com os de Óbidos e Lourinhã) passou para a posse de D. Guilherme de Cornibus, um cavaleiro Templário que auxiliou Afonso Henriques na conquista de Lisboa em 1147 (Torre do Tombo, gaveta II, maço 7, n°12).

Corria o mês de Junho do ano 1147, quando o cruzado franco Guilherme de Corni, pernoitou no porto de Atouguia (designado então porto de Serra d’El-Rei ou Serra a par d´Atouguia).

Ele, o irmão Roberto e mais cerca de treze mil homens, todos faziam parte de uma armada de aproximadamente duzentos navios, que se dirigiam em cruzada ao oriente (o objectivo era expulsar os infiéis da Terra Santa).

Tinham interrompido a sua viagem para responder a um pedido do Bispo do Porto que servindo de embaixador a D. Afonso Henriques, lhes pediu auxílio para conquistar Lisboa.

Em resultado da ajuda prestada ao rei em 1147, na conquista de Lisboa, aquele cruzado franco recebeu a recompensa que na época os Reis reservavam aos seus aliados e servidores mais empenhados: terras e títulos.

Assim, decorrido algum tempo sobre a tomada de Lisboa, Guilherme de Corni recebe o senhorio designado por “Herdade de Atouguia”, como então era designada a terra que confinava com Óbidos e Lourinhã, ficando encarregue de velar pela sua defesa e desenvolvimento.

 

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