Salgueiro Maia – E Depois do Adeus

Salgueiro Maia ocupa por mérito próprio um lugar de destaque na História da Democracia Portuguesa. Só um País com governantes ignorantes e mal formados seria capaz de o ignorar.

Os Portugueses sabem que em grande parte é a ele que devem a liberdade. Os governantes ignoraram o facto ao longo dos anos. Porque é isso o que de melhor fazem! Ignorar.

Ignoram tudo que não lhes encha os bolsos, ou não lhes aumente o ego. Só um País de governantes mesquinhos não reconhece os seus Heróis. E Salgueiro Maia foi um Herói. Por mérito e direito próprio. Ao contrário de outros que passaram e passam grande parte da sua vida roçando o cu nas almofadas de cetim da grande casa da democracia, a que pomposamente chamam Assembleia da Republica. Para esses, tudo o que se passa fora dali é supérfluo. E por lá ficam, comentando vídeos do facebook e contando anedotas até que o grande Pai Estado lhes dê de mão beijada a choruda reforma. Sim, porque ao contrário de Salgueiro Maia, eles prestaram à Nação grandes serviços.

Muitos deles não eram sequer nascidos em Abril de 1974. Não fazem a mínima ideia, ou se fazem preferem ignorar, como as coisas se passavam antes.

O Capitão Salgueiro Maia, a quem estes desdenhosamente, chamam «o soldadinho», tinha mais coragem e determinação na ponta de um dedo, que estes filhos da Nação têm no corpo todo.

Que o diga Cavaco Silva, que desdenhosamente lhe recusou a pensão, enquanto as distribuía generosamente pelos antigos agentes da PIDE-DGS. Por coragem política, ou pessoal, Mário Soares viria a condecorar «embora a título póstumo» Salgueiro Maia com  a Ordem Militar de Torre e Espada, que em vida lhe teria dado direito á pensão.

Um País onde existam Homens como Salgueiro Maia, que lutem por ideais sem o desejo de riquezas ou protagonismo é um País em que se acredita.

Um Pais em que os políticos teimam em ignorar os seus Heróis, é um Pais que renega a sua própria História. Só a estupidez e ignorância histórica pode levar as coisas a este estado.

Como disse o próprio Salgueiro Maia, ainda na noite de 24 de Abril na Escola Prática de Cavalaria em Santarém «Existem diversas modalidades de Estado: os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, meus senhores, vamos acabar com o estado a que chegámos. De maneira que quem quiser, vem comigo para Lisboa e acabamos com isto. Quem é voluntário sai e forma. Quem não quiser vir não é obrigado e fica aqui.

António Góis - Abril de 2017

 
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