1961 – O Ataque ao Quartel de Beja

Ainda o ano de 1961 não havia terminado, com todos os azares por que Salazar passara nesse ano, (em Janeiro fora o assalto ao navio “Santa Maria” efectuado pelo Capitão Henrique Galvão,  em Março rebentara a guerrilha em Angola que levaria à independência das colónias portuguesas, em Abril o “Golpe de Estado” frustrado de Botelho Moniz) e já se preparava um novo golpe ao Estado Novo. Desta vez a oposição portuguesa preparou-se para levar a efeito um novo Golpe de Estado a Salazar e o dia escolhido foi precisamente na noite do último desse ano, em 31 de Dezembro. Estava por detrás do Golpe o General Humberto Delgado.

Estava-se, portanto, no último dia desse ano de 1961 e o General Humberto Delgado, que se exilara no Brasil, como líder da oposição ao regime do Estado Novo, havia preparado esse ataque. Ele próprio entrara pela Espanha no Baixo Alentejo. Segundo o historiador Joaquim Veríssimo Serrão, a polícia do regime fora avisada de que se preparava uma revolta militar, embora não soubesse onde e quando. Por sua vez José Freire Antunes escreve que nesses últimos meses do ano (talvez face a essa suspeita) foram presos pela Pide importantes quadros do Partido Comunista, designadamente: «Pires Jorge, Blanquim Teixeira, Octávio Pato, Dias Lourenço, Carlos Costa e Américo Sousa».

Todavia, os opositores que estavam com Humberto Delgado eram um pequeno grupo do centro-esquerda da oposição. Destes merecem destaque, «Manuel Serra, o Cap. Varela Gomes, Fernando Piteira Santos e Edmundo Pedro», acompanhados de outros amigos. 

 O Golpe teve início às 2:00 horas da madrugada, com base num ataque ao Regimento de Infantaria n.º 3, em Beja, quando ali chegaram duas viaturas. Nelas vieram o capitão Vasconcelos Pestana e o Tenente Hipólito dos Santos, que faziam parte da guarnição, bem como alguns dos seus amigos. Estava de oficial de dia o alferes Arantes e Oliveira que foi logo preso, ao mesmo tempo que o capitão João Paulo Varela Gomes (que anos depois viria a ser figura importante na “Revolução do 25 de Abril” como adjunto de Otelo Saraiva de Carvalho no COPECON) se dirigiu ao aposento do 2.º comandante, major Galapez Martins. Este, como havia sido previamente «informado dos rumores incertos que corriam», pusera as suas tropas de prevenção. Da troca de tiros então havida, «resultou que o capitão Varela Gomes foi gravemente atingido no baixo-ventre», refere o historiador Veríssimo Serrão.

Ao saber do ataque pouco depois do seu início, o Subsecretário de Estado do Exército, tenente-coronel Jaime Filipe da Fonseca, deslocou-se logo de Lisboa para Beja, onde chegou cerca de três depois, por volta das 5:00 horas da madrugada. Constou que na ocasião a intentona já teria sido dominada e que esse membro do Governo de Salazar, ao dirigir-se à porta de armas, foi atingido mortalmente por uma rajada de metralhadora desferida pelas sentinelas do quartel, possivelmente por engano. Como havia censura feroz nesse tempo, pouco se soube na ocasião desse ataque ao Quartel de Beja. 

 O General Humberto Delgado, que nas suas memórias assumiu a sua presença em Beja e a chefia do movimento, terá referido nelas que, ao aperceber-se da sua má organização no terreno, deixou de acreditar no seu sucesso. Admitiu ainda nelas não ter conseguido entrar em contacto com os atacantes ao Quartel de Beja, falha essa motivada pelas poucas comunicações existentes. 

    

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