Como era afinal o Infante D. Henrique?

Terceiro filho do glorioso rei D. João I, fundador da 2a Dinastia e de D. Filipa de Lencastre, o Infante D. Henrique nasceu no Porto em 1394 e morreu em 1460.

Gomes Eanes de Azurara e João de Barros deixaram-nos tracejado o retrato do grande Infante: estatura regular, compleição vigorosa, membros fortemente musculados, pele branca e corada, o rosto tostado pelo ar do mar, os cabelos levantados, o olhar duro, uma extrema gravidade no porte, gestos sóbrios, palavra suave e vagarosa. Mesmo quando se zangava, “as mais escandalosas” palavras, que proferia, eram “Dou-vos a Deus! Sejais de boa ventura!”. Dotado de uma extraordinária energia física, era capaz de um dispêndio extremo de energia.

Foi casto, sóbrio e austero, no entanto, de coração duro (pelo menos, aparentemente). Assim, é acusado pela sua conduta para com os irmãos, o Infante D. Fernando, cativo após o desastre de Tânger onde morreu à espera de resgate, e o Infante D. Pedro, durante as desavenças com o Duque de Bragança que terminaram com a sua morte na Batalha de Alfarrobeira. É possível que num e noutro caso tenha sobreposto a razão de Estado aos impulsos afectivos.

Damião Peres, na sua obra “História dos Descobrimentos Portugueses”, coloca a figura do Infante D. Henrique acima de qualquer apreciação laudatória ou depreciadora numa síntese admirável que não resistimos a transcrever:

O Infante D. Henrique não foi realmente um geógrafo, mas tudo mostra que a sua inteligência se abria à curiosidade geográfica; não foi cartógrafo, mas soube compreender e utilizar o conhecimento dos que o eram; não foi um missionário, mas promoveu o proselitismo cristão; não foi um cruzado, mas combateu contra os muçulmanos na conquista de Ceuta e na tentativa de Tânger; não foi um descobridor, mas estimulou as navegações de descobrimento; não foi um mercador, mas impulsionou a exploração mercantil do ultramar português; não foi um economista, mas soube criar o intercâmbio de produções tão característico da expansão ultramarina de Portugal. Sem ser enorme em um só aspecto, foi muito grande no conjunto deles”.

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