O Infante D. Henrique e a Conquista de Ceuta

A conquista de terras marroquinas, especialmente a da cidade de Ceuta, constituiu o primeiro pensamento expansionista do Infante D. Henrique. Este projecto tinha um objectivo essencialmente económico: propunha-se apoderar de um centro abastecedor de trigo (cereal que escasseava no Reino) e refrear a pirataria que se exercia no Estreito de Gibraltar e que prejudicava o desenvolvimento económico de Portugal, na medida em que dificultava a normal navegação mercantil do Mediterrâneo.

Decidida a empresa de Ceuta, os seus preparativos demoraram cerca de três anos. A Armada organizava-se ao mesmo tempo no Porto e em Lisboa. No Porto, se encarregava o Infante D. Henrique e com ele embarcaram gentes das Beiras, Trás-os-Montes e Minho. Em Lisboa, se encarregava o Infante D. Pedro com gentes de Estremadura, Entre-Tejo e Guadiana e Algarve. Segundo o cronista Zurara, quem mais afanosamente trabalhava era D. Henrique, de 20 anos. E a sua frota numerosa exibia nos mastros o pendão tricolor com a sua divisa bordada : “Talent de bien faire” (vontade de bem fazer).

Já se encontravam reunidas as duas frotas no Restelo quando morreu a rainha D. Filipa, a 19 de Julho de 1415. Por um momento, a dor do rei parecia impedir a concretização deste projecto preparado com tanto empenho; mas o ânimo dos infantes salvou a expedição e a 25 de Julho a armada levantou ferro.

No dia 21 de Agosto de 1415 conquistaram a cidade, depois de combaterem durante todo o dia. No Domingo seguinte, a 25, depois de “limpa” a mesquita-maior para ser sagrada Igreja cristã, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, foram armados cavaleiros os Infantes D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique e, depois deles, uma longa fila de fidalgos combatentes.

Dissolvida pelo rei, em Tavira, a expedição vitoriosa chegada de Ceuta, foram recompensados quantos nela tinham participado. Nestas recompensas largamente distribuídas, a maior honra coube aos Infantes porque D. João I criou para eles um título novo de nobreza: o de duque. Assim, D. Pedro foi nomeado duque de Coimbra; D. Henrique, duque de Viseu. A D. Duarte, esperava-o um título maior: o de herdeiro da coroa.

Segundo Damião Peres, esta acção guerreira no Norte de África e as posteriores navegações para Sul do Cabo Bojador teriam ainda visado não só a procura de novos mercados, como também abrir o acesso aos centros produtores do ouro. Com efeito, depois de ali voltar três anos depois, com alguns dos demais infantes seus irmãos, é de crer que começassem a tomar vulto na mente de D. Henrique as ideias de uma expansão mais ampla para Sul – com sentido evangelizador, por um lado, visto se tratarem de regiões povoadas por gentes pagãs ou islamizadas, e com sentido económico, por outro, dado provirem de lá o ouro e outros produtos que chegavam à Europa.

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