OS ÚLTIMOS DIAS DE HITLER

Em abril de 1945,  Adolf Hitler já não era o homem que atemorizava o mundo.

Acossado e com a saúde fragilizada desde o atentado que sofrera em 1944, a ingestão de diversos comprimidos diferentes por dia, o avanço do mal de Parkinson, a paranóia contra os que estavam ao seu redor e o medo de ser traído, faziam do führer um trapo humano.

No dia 20 de abril, Adolf Hitler completou 56 anos. As comemorações foram realizadas no bunker, sem grandes alardes, tendo a presença dos nazistas da velha guarda Joseph Goebbels, Hermann Goering, Heinrich Himmler, Joachim von Ribbentrop e Martin Bormann; além dos lideres militares sobreviventes Wilhelm Keitel, Alfred Jodl, Karl Doenitz e Hans Krebs, o novo e último chefe do Estado maior geral.

Durante a reunião comemorativa do aniversário, Hitler não demonstrou abatimento.
Os generais do Reich insistiam para que Hitler deixasse Berlim, partindo para o sul, pois no máximo em dois dias os russos cortariam e fechariam aquela última saída para o sul. Hitler hesitou, sem dizer que sim ou que não. Em um último ato de desespero, no dia 21 de abril, ordenou que as tropas SS, comandadas pelo general Felix Steiner, executassem um contra ataque geral aos russos nos subúrbios da parte sul de Berlim. Mas o ataque jamais foi tentando por Steiner. A queda do Reich era uma questão de horas, não havia o que fazer.

No dia 22 de abril, Hitler enxergou finalmente a dura realidade, a guerra estava perdida. Após uma reunião com os militares, decidiu ficar em Berlim até o fim, e admitiu que a derrota alemã era iminente. Após expressar a intenção de que se iria matar, pediu ao médico Werner Haase orientação de como praticar um método fiável de suicídio. Haase sugeriu-lhe a combinação de uma dose de cianeto com um tiro na cabeça. O ditador nazista obtém através das SS o cianeto.

No dia 28 de abril, Hitler foi informado de que Heinrich Himmer, genitor do extermínio dos judeus e responsável pelo terror da suástica, tentara negociar em separado, a paz com os aliados. O führer sentiu o peso da traição. Desde então passou a não confiar em mais ninguém. Suspeitava inclusive de que as cápsulas de cianeto em seu poder, dadas por Himmer, fossem falsas. Hitler decidiu testar o veneno em sua cadela preferida, Blondi. Dirigiu-se com Werner Haase ao banheiro que servia de canil para o animal. Abrindo a boca de Blondi, Haase espremeu com um alicate uma cápsula do veneno. O cão teve morte fulminante. Hitler, ao ver o seu animal preferido morto, não demonstrou qualquer expressão no olhar.

No dia 29 de abril recebeu a notícia de que o aliado e ditador fascista, Benito Mussolini, juntamente com a sua amante, Clara Petacci, tinham sido fuzilados e pendurados em praça pública, tendo os corpos mutilados. Por volta das três da manhã do dia 29 de abril, Hitler casou-se formalmente com Eva Braun. Para realizar a cerimônia, Goebbels mandou vir um juiz municipal, Walther Wagner, que estava lutando em uma unidade da Volkssturm, a alguns quarteirões do bunker. A noiva começou a assinar a certidão de casamento como Eva Braun, mas deteve-se, riscou o B e escreveu Eva Hitler, nascida Braun.

No dia 30 de abril, Hitler ordenou a Traudl Junge que destruísse todos os documentos existentes nos seus arquivos. A trezentos metros, no telhado do hotel Adlon, soldados soviéticos disparavam suas armas contra os jardins da chancelaria. A hora do plano final de Adolf Hitler tinha chegado.

Por volta das 14h30, o motorista do führer, Erich Kempka, recebeu ordem de levar duzentos litros de gasolina para o jardim da chancelaria. Hitler não queria que lhe sucedesse o mesmo fim de Mussolini. Para que o seu corpo não fosse exposto em praça pública como troféu de vitória dos inimigos, pediu ao seu guarda costas Otto Gunsche, que destruísse os seus restos mortais.

Às 15h00, o führer fez a sua última refeição, sem o acompanhamento de Eva Braun. Após a refeição, foi buscar a mulher no quarto. Reuniu no corredor em frente aos seus aposentos todos aqueles colaboradores mais íntimos, que lhe acompanharam até o último momento, entre eles Goebbels, Bugdorf, Artur Axmann, Heinz Linge, Hans Krebs, as secretárias e a cozinheira. Um a um Hitler apertou as mãos, em agradecimento. Terminada a despedida, retirou-se com a mulher para os aposentos.
Hitler ordenou aos seus colaboradores que esperassem dez minutos, depois entrassem. O aposento tinha duas portas de aço, a prova de fogo, de gás e de som. Do lado de fora, os últimos colaboradores fiéis a Hitler, aguardavam ansiosos o desfecho trágico do seu líder. Como as portas eram à prova de som, não ouviram o tiro fatal. Cerca de dez minutos depois, às 15h30, Heinz Linge abriu a pesada porta, deparando-se com o último horror de Hitler. Bormann, Goebbels, Gunsche e Axmann também entraram. Mais tarde, descreveriam a cena macabra: Hitler estava no sofá, ao lado de Eva Braun, ambos mortos. No chão havia duas pistolas, mas só Hitler usara a sua, desferindo um tiro na boca. A bala vazara-lhe a têmpora do lado direito. No tapete ao lado do sofá, formava-se uma poça de sangue. Na parede e no próprio sofá, estavam respingos de sangue. Dois filetes de sangue escorriam da sua face. A julgar pelo pouco sangue que vertia do führer, os seus colaboradores chegaram à conclusão de que ele havia ingerido primeiro uma cápsula de cianeto, em seguida desferira o tiro. Eva Braun fizera uso apenas o cianeto.

No dia 2 de maio de 1945, os soldados do Exército Vermelho soviético tomaram Berlim e tropas do III Exército entraram no bunker, último reduto de resistência do que restara do III Reich. 

 

 

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